Você pode falar o que quiser?
05/05/2011 21:26:00 - Alessandra Assad
Eu sempre digo que você pode falar qualquer coisa, para qualquer pessoa, desde que você saiba como fazer isso. Este é um princípio básico de comunicação, mas que 90% das pessoas erram na execução. E sabe por que? Porque o “como” fica sempre em segundo plano. E sabe por que? Porque toma muito tempo. A pergunta é: o que demanda maior tempo: planejar adequadamente o “como” ou corrigir todos os porquês depois?

Joseph Grenny, especilista em conversas decisivas e autor de três livros que estiveram na lista dos mais vendidos do The New York Times, afirma queno cerne de quase todos os problemas crônicos estão conversas decisivas que você não está tendo ou está conduzindo mal. E isto acontece por motivos como pouca influência, trabalho em equipe falho, produtividade medíocre, fracasso no casamento, desafios da diversidade, problemas de qualidade, questões de segurança ou outros. Ele diz que sempre que estiver num beco sem saída, existe uma conversa decisiva mantendo você lá. Ele afirma que “O primeiro erro na conversa decisiva é sempre na primeira sentença. Em geral, abrimos a boca e falamos da maneira errada. Escolhemos sem pensar”. Esta é uma grande verdade, e motivo que nos leva a fracassar inclusive em relações pessoais.

O papel da segurança - Grenny destaca que para falar honestamente, sem ofender alguém, temos de encontrar uma forma de preservar a segurança. É mais ou menos como dizer a alguém para dar um soco no nariz do outro, sem machucá-lo. Como podemos falar o execrável e ainda preservar o respeito? O professor afirma que podemos fazê-lo, se soubermos como misturar cuidadosamente três ingredientes: confiança, humildade e aptidão. Ele salientou que há sinais negativos que podem ser observados quando não estamos conduzindo ou conduzimos mal uma conversa decisiva:
• Se, durante a conversa, você se sentir cada vez mais frustrado, talvez esteja tendo a conversa errada.
• Se você tiver a mesma conversa duas vezes, está tendo a conversa errada.
Ele alerta que se você ficar atolado num nível, deve passar para um nível mais profundo. “E quando puder dizer o que tem a dizer em uma sentença, você está pronto para conversar”. O professor afirmou que quando começamos a nos sentir inseguros, escolhemos um de dois caminhos negativos. Ou buscamos o silêncio, impedindo que informações relevantes cheguem ao reservatório de informações relevantes; ou a agressividade, tentando impor informações ao reservatório. Com isso, podemos nos afastar, restaurar a segurança e retomar o diálogo, antes que o prejuízo seja muito grande.

Motivos e emoções - O professor destaca que entre os motivos que acabam com o diálogo estão salvar as aparências, sair-se bem, manter a paz, evitar conflito, vencer, ter razão e punir. É preciso, porém, ter cuidado com a mudança dos motivos, fazendo a seguinte pergunta: Por que vale a pena parar e examinar seus motivos?. “Porque você é controlado pelos motivos que não vê e porque você não é um ator tão bom assim”, destacou, explicando que se você conseguir ver o que está acontecendo, poderá fazer algo a respeito, porque as dúvidas exasperam o cérebro.
Para Greeny, as emoções também não ajudam muito, porque as conversas decisivas são definidas por suas características emocionais. “Nossa capacidade de sairmos do conteúdo de uma discussão e focarmos no processo é inversamente proporcional ao nível de nossas emoções”. Ele explica que quanto mais nos importamos com o que está acontecendo, menor é a probabilidade de pensarmos como estamos nos comportando.

Objetivo mutuo - Grenny explica que embora seja verdade que não há razão para empreender uma conversa decisiva se não temos um objetivo mútuo, é igualmente verdadeiro que não podemos manter a conversa se não mantivermos o respeito mútuo. “Respeito mútuo é a condição de continuação do diálogo. Quando percebemos que o outro não nos respeita, a conversa imediatamente torna-se perigosa e o diálogo cessa”. Por quê? “Porque o respeito é como o ar que respiramos. Se o eliminarmos, ninguém consegue pensar em outra coisa”, responde. No instante em que as pessoas percebem o desrespeito em uma conversa, a interação não é mais sobre o objetivo original, agora passa a ser sobre a defesa da dignidade. O objetivo mútuo sofre por falta de respeito mútuo.

Para encontrar a solução, Grenny aconselha responder à pergunta: o que eu realmente quero para mim, para os outros e para a relação? Franqueza nunca é o problema, afirma Grenny. “As pessoas nunca ficam na defensiva em relação ao que você diz. Elas ficam na defensiva imaginando por que você está dizendo o que diz”. Ele acredita que quando nos sentimos seguros, podemos falar sobre qualquer assunto e defende que se as pessoas não se sentirem seguras, nada pode ser discutido. Sim, você pode falar o que quiser, mas nunca se esqueça que é o “como” que vai influenciar o seu resultado. Será que não dá mesmo para fazer de um jeito diferente?

Alessandra Assad é diretora da AssimAssad Desenvolvimento Humano. Formada em Jornalismo, pós-graduada em Comunicação Audiovisual e MBA em Direção Estratégica, é professora no MBA de Gestão Comercial da Fundação Getulio Vargas, Consultora Senior do Instituto MVC, palestrante e autora do livro Atreva-se a Mudar! – Como praticar a melhor gestão de pessoas e processos.
 
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